O texto abaixo é de autoria de Stephan Houat que gentilmente permitiu a divulgação.
Caso se interesse pelo assunto, leia a monografia que Stephan escreveu em 2006 ao obter o título de bacharel em Direito. Boa leitura!
Meus sinceros agradecimentos ao governo israelense
Expresso aqui meus sinceros agradecimentos ao atual governo israelense, sob a liderança do Senhor Benjamin Netanyahu.
Nas últimas eleições israelenses, torci pela vitória do Likud, e fiquei felizmente surpreso com ela.
Uma vitória dos Trabalhistas, a chamada "esquerda israelense", que é tão esquerdista quanto o Partido Democrata americano, poderia levar a um ""Estado Palestino"", assim mesmo, não com apenas duas aspas, mas sim quatro.
Quatro aspas porque seria um território recortado entre si (Gaza e Cisjordânia sem comunicação), sem Jerusalém, sem economia independente, sem exército, sem controle de fronteiras. Seria o que hoje é Gaza, "uma ilha palestina cercada e controlada por Israel por todos os lados". Isso não é paz, é derrota e humilhação.
A atual administração americana e uma vitória do Partido Trabalhista, aliados ao entreguismo e corrupção da Autoridade Palestina nas mãos do Fatah levariam a esse quadro.
A segunda surpresa agradável (a primeira sendo a própria eleição do Likud) foi a escolha de Avigdor Libermann para o cargo de ministro das relações exteriores. Ninguém melhor do que ele, porque afinal de contas, não há ninguém PIOR do que ele. Racista, xenófobo, desafiador e polêmico, ele iria arruinar as relações exteriores israelenses, com sua truculência de leão-de-chácara de boate, profissão que ele realmente exercia em Israel, antes de entrar para a política.
Logo de saída, Liberman criou atritos com o governo turco, provocando dissabores entre Israel e seu possível maior aliado no Oriente Médio, ao lado de Egito e Jordânia.
Após o incidente de falsificação de passaportes estrangeiros usados no assassinato de um líder palestino em Dubai, novos atritos, dessa vez com países europeus e Austrália.
E o recente ataque a uma frota internacional de ajuda humanitária veio como a “cereja do bolo”. Claro que não é nada feliz saber que pelo menos nove pessoas morreram, mais ainda ficaram feridas, houve prisões, maus-tratos. Mas isso expõe ao mundo quem é Israel.
Não é de hoje que Israel massacra árabes, principalmente palestinos e libaneses, sem causar comoção mundial. Afinal, como os negros morrendo aos milhões na África, árabes são apenas árabes, “gente de segunda categoria”. Mas quando a matança atinge o “homem branco”, o mundo reage.
Ainda estamos longe de saber todas as conseqüências do ataque israelense à frota, mas já podemos vislumbrar algumas delas. A primeira e mais óbvia, voltando ao assunto inicial do texto, é que um Estado Palestino de faz-de-conta está bem mais distante do que antes.
A Turquia chamou de volta seu embaixador em Israel, uma das retaliações diplomáticas mais graves dentro do mundo das relações exteriores, e prometeu que só retomará suas relações se o bloqueio a Gaza for suspenso.
Os EUA, maior patrocinador de Israel, que enxergavam o país há anos como defensor dos seus interesses no Oriente Médio, há anos vem encarando-o já como um fardo. Os últimos acontecimentos só reforçam essa sensação.
O Egito, que junto com a Jordânia é o maior aliado árabe de Israel, já abriu sua fronteira com Gaza, aliviando o cerco à região. Não que essa tenha sido a vontade do presidente Hosni Mubarak, sempre apto a fazer o que Israel e EUA mandam em troca de apoio à sua ditadura e em troca de “alguma esmola” para a economia egípcia, mas porque sabe que a sua população já não tolera essa submissão à vontade israelo-americana. A Jordânia, país formado em sua maioria por palestinos, talvez siga rumo igual.
Vários países, inclusive o Brasil, convocaram seus embaixadores israelenses para “dar explicações”, medida que no mundo diplomático é entendida como sendo de retaliação, e clara demonstração de desgosto.
A ONU já prometeu uma investigação, que poderá gerar um relatório semelhante ao Relatório Goldstone, onde um juiz judeu sul-africano concluiu que Israel cometeu diversos crimes de guerra no último ataque em Gaza. Apesar de ser judeu, Goldstone foi acusado de ser anti-semita, e foi impedido de participar das celebrações de Bar-Mitzvah (cerimônia religiosa judaica, semelhante à Primeira Comunhão católica) de seu neto na África do Sul.
No Knesset, o Parlamento Israelense, houve troca de ofensas entre membros do Partido Likud e membros árabes do Parlamento. Deputados árabes foram chamados de traidores, cavalos de tróia. Isso poderá acirrar as disputas internas israelenses entre cidadãos árabes e judeus (vinte por cento dos cidadãos israelenses são árabes cristãos, drusos e muçulmanos), o que pode levar a manifestações pela ampliação dos direitos dos cidadãos árabes, atualmente cidadãos de segunda categoria no país.
Até no campo desportivo já surgem efeitos. A Seleção sub-21 da Suécia cancelou um amistoso que faria com Seleção sub-21 de Israel, em repúdio pelos ataques.
Dentro das próprias sociedades israelenses e judaicas do resto do mundo, o tom é de crítica. Uma senhora idosa sobrevivente do Holocausto estava nos barcos humanitários, e comparou as ações israelenses às da Alemanha nazista. Derrota moral para Israel.
Ativistas irlandeses saíram em um novo barco humanitário rumo a Gaza, e seu barco já se encontra no Mar Mediterrâneo, perto da costa do Chipre. Seu nome é Rachel Corrie, em homenagem à americana morta por Israel enquanto protestava contra a demolição de casas palestinas. Novos barcos deverão seguir esse rumo.
Lamentando pela perda de vidas, porém em contrapartida feliz pelas vidas que serão salvas em Gaza com a entrega de alimentos e medicação, saúdo o atual governo israelense, e felicitando-o por mostrar ao mundo quem de fato é Israel.
A vocês, meu muito obrigado!

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