23 Fevereiro, 2010

Da Escolha d'Alma

Durante a minha infância, eu cuidei de pássaros com o meu avô- um homem batalhador, de boa conduta e com as limitações de seu tempo.
No meu íntimo eu sofria por ver pássaros tão bonitos naquelas gaiolas e ao mesmo tempo ficava deslumbrada em ver a devoção do meu avô para com eles. Ele doava uma boa parte da manhã para limpar as gaiolas, para soprar as sementes, para repor as sementes, trocar a água, cortar cubinhos de maçã e atentar para o banho de sol dos bichinhos.
Vez ou outra eu me questionava- será que esses pássaros trocariam todo esse zelo e cuidado por um voo de liberdade? E se eles se arrependessem, quisessem voltar e não encontrassem mais o caminho?
Aos meus 9 anos eu sabia de filosofia sem saber que sabia.
Essa inquietação me incomodava tanto que em certo dia coloquei um plano em ação- fechei toda a espaçosa área de serviço e secretamente abri uma das gaiolas. E para o meu espanto o pássaro nem sequer saiu, ignorou aquela liberdade temporária por completo. Fiquei furiosa naquele instante. Pássaro burro!- foi o que eu disse.
Passaram-se 22 anos e como se num deja-vu, deparo-me com a mesma situação, mas com personagens diferentes. O tema em questão continua sendo a liberdade.
Eu tenho lido mais, aprendido mais, experimentado mais e me arrependido mais também. Queria ser como os filósofos que partem do si para todos. Sinto raiva e admiração- esses filósofos elaboram uma teoria brilhante, mas como podem eles rotular a nossa complexa existência humana? Respeito as idéias de Jean-Paul Sartre mais do de qualquer outra. Sartre está me ensinando a fazer de quase todos os momentos de minha vida uma permanente reflexão sobre os problemas fundamentais da minha própria existência. Eu por mim mesma e não de acordo com a filosofia de fulano ou ciclano.
Voltando à liberdade...
Todos sabemos que não existe liberdade sem escolha. O que está na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser.
Se você fosse aquele pássaro, ao qual me referi linhas atrás, dotado de consciência humana e decidisse sair da gaiola mesmo sabendo que tal atitude magoaria profundamente o seu cuidador, você o faria? Ou optaria por tolher sua alma na tentativa de não sofrer julgamentos impiedosos e manter seu dono feliz?
O que se aprende nesse voo é que não devemos nos autonegligenciar. Não faz sentido amar alguém sem antes amar a si mesmo. 

5 comentários:

Dri Viaro disse...

Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar bom fim de semana

bjss

aguardo sua visita :)

Gaúcha*** disse...

Adorei teu blog!
=)

Rê Cicca disse...

A Mônica é uma menina que escreve muito bem e tem um blog bem interessante.
Ela também lê
também lê
http://www.descompensando.blogspot.com/

Rafaelle Costa disse...

gostei das observações, o texto sobre os passarinhos tbm recordam minha infancia... abraços.

mm disse...

Meu sincero MUITO OBRIGADA!
Voltem sempre e agora sou eu quem está indo visitar o Blog de vocês.

Beijos!!!